Sunday, August 31, 2008

Nike Human Race 10k

São Paulo, 31/08/2008
57 minutos e 16 segundos!


Aqui a foto gritou: gordinha! Já fazer dieta de novo.

Sunday, August 10, 2008

Centro histórico 9k


XIII Corrida Centro Histórico Corpore BM&F/Bovespa - 10/08/2008
Alessandra Nahra Leal
Número: 3697
Equipe: Avulso
Faixa etária: F3539
Sexo: Feminino

Classificação Geral: 3182/5148
Classificação Faixa: 81/217
Classificação Sexo: 503/1405
Ritmo: 06:06 min/km
Tempo: 55'02"




Adoro essa foto com o Teatro Municipal ao fundo.

Por que eu corro


Ontem choveu o dia todo, e lá pelas 6 da noite eu lembrei que hoje tinha a corrida Bovespa Centro Histórico. Fiquei só imaginando o domingo amanhecendo chuvoso e frio, e o que eu faria se fosse assim... daí pensei que eu gosto de correr com chuva, e faz tempo que isso não acontece, porque a chuva havia cessado de existir em SP. Que o ar ia estar limpo, que eu gosto do centro, e que eu ia com ou sem chuva. Não dá pra só ficar trabalhando, tem que oxigenar o cérebro e mexer os músculos. E domingo ia ser o sétimo dia útil da semana... melhor vencer a preguiça e dar uma corridinha, sim. Trabalhei até as 11 da noite e fui deitar; demorei pra dormir porque tomei muito café e os pensamentos sobre o trabalho e a vida ficaram fazendo barulho na minha mente.

Hoje acordei às 5:30 da manhã... e não estava chovendo! Os pensamentos começaram a fazer barulho e não foi difícil levantar e fazer chimarrão. Escrevi uma carta, me vesti de corredora e parti.


Essa corrida eu queria fazer devagar, pra terminar bem e não quase morrendo. Queria olhar os prédios antigos, aproveitar a chance de ver o centro de um jeito que a gente nunca consegue. Eu gosto de correr pra me sentir bem, e não pra melhorar tempo e terminar botando os bofes pra fora. Além disso, é uma corrida mais lenta mesmo. Algumas ruas do percurso são estreitas e tem momentos em que a velocidade diminui naturalmente.

Uma das coisas mais legais dessa corrida, além dos prédios antigos, é a mistura com a cidade e suas coisas nem tão lindas, mas tão São Paulo.

A primeira música que tocou no shuffle foi "We walk", do Ting Tings - começou bem! Depois da largada, a gente passou aquele viaduto em cima do Anhangabaú, e a primeira grande visão foi o sensacional Teatro Municipal. Daí fomos entramos na São João e fui olhando... Grandes Galerias, botecos ainda abertos, homeless, os fiéis sendo abençoados na Igreja Internacional da Graça de Deus, o estacionamento que eu e Ruy um dia paramos o carro quando tentamos ir na feira de HQs que ninguém achou, o cara dormindo no ponto do ônibus, os trabalhadores que não são afortunados com a possibilidade de correr e precisam atravessar o mar de corredores pra chegar no trabalho, o nóinha tentando entabular conversas com os corredores, os tiozinhos, as tiazinhas, o homeless sem dente aplaudindo e dando risada...

O percurso é cheio de subidinhas, descidinhas e retonas. Pra mim parecia tudo descida, de tão bem que eu tava me sentindo. Quando vi já estava no km 3.

...o hotel Lux, a churrascaria Novo Gaúcho ao lado da taverna do mesmo estado, igrejas, a esquina da casa da Lica, hippies, backpackers, o homeless desmaiado aproveitando a infra do evento pra passear de maca, os manos de bombetas, o povo voltando da night, os sujinhos fedorentos...

A placa do km 5 estava bem na frente da Igreja São Bento. Na subida ao lado da praça da Sé, o Iggy Pop começou a cantar "Dirt", e eu deixei ele continuar, porque I've been hurt but now there's a fire.

Nem vi a placa do km 6, e o 7 foi na frente do que eu acho que é o Pátio do Colégio. Faltavam só 2 kms.

Um pouco antes do km 8 meu joelho começou a doer - acontece às vezes. E daí a Billie Holliday começou a cantar that I'll be seeing you in all the old familiar places - "I'll be looking at the moon, but I'll be seeing you"...

Às vezes as pessoas me perguntam por que eu corro, e eu mesma já me questionei por que insisto em participar de provas, já que não gosto de multidão. Correr, assim como fazer fanzines e tatuagens, me ajuda a processar. Nunca vou me esquecer de certas corridas, como aquela que fiz assim que voltei do hospital onde meu vô estava internado, na primeira visita em que me dei conta de que ele não sairia mais dali vivo. Saí correndo e chorando, destilando a tristeza, era com raiva do mundo que eu pisava no chão. Correr com uma multidão tem um sentimento meio épico, heróico, todo mundo está ali se superando de alguma maneira. Hoje inclusive rolou um momento meio Chariots of Fire, com musiquinha e tudo. Eu tava mega high.

Eu não me importo com melhorar tempo, e não tenho nenhum interesse em me "auto-superar", pelo menos não fisicamente. A corrida me ajuda a superar a perda de um familiar muito amado e o final de um relacionamento que foi bom. Não sei como, mas me ajuda a entender que a vida é assim, que tudo é cíclico, me ajuda a aceitar as perdas como parte do pacote de estar vivo. Meu vô faria aniversário essa semana, dia 13, e faz um pouco mais de um ano que ele morreu. Assim como faz também um ano que terminei um relacionamento que achei que ia ser pra sempre. Foi um ano de dor, sofrimento e muito choro durante as corridas, mas agora que isso completa aniversário, acho que posso dizer que estou finalmente curando as feridas, e de certa maneira a corrida me ajudou muito.


Eu corro para me superar emocionamente, para processar sentimentos, para heal my heart. Eu corro para o meu avô, porque com ele e a Java lá no céu, eu sei que nunca mais estarei sozinha.

Quando a corrida terminou, estava aos prantos no Anhangabaú.
Dei meu saco de comida brinde para um dos homeless que estavam ali na chegada esperando ganhar coisas e fui continuar a vida.